Terça-feira, Março 11, 2008

Crystal Castles: Letras sujas ganham força em 8-bit agressivo

O álbum de estréia do Crystal Castles soa urgente e desesperador, como se fosse a trilha sonora de um cenário caótico. É uma construção dos canadenses Alice Glass e Ethan Kath, que evoca o clima lisérgico e borram a sujeira do punk com fluorescentes sintetizadores 8-bits.

Com um mito maior do que a própria música, "Alice Practice" foi criado enquanto Ethan Kath brincava com sintetizadores e Alice, sem saber que estava sendo gravada, ensaiava na frente do microfone. A bela só foi saber que sua primeira música havia sido gravada quando recebeu a MP3 em sua caixa de correio.

Diferenciando-se da inocência dos Gameboys de certos músicos chiptune, o duo usa os saudosos barulhos para atacar os tímpanos com devastadoras partículas 8-bit. E esse efeito característico é alcançando graças a um chip do clássico vídeo-game Atari instalado em seu teclado.

Porém, para imprimir o estilo Crystal Castles às suas composições, o duo às vezes abre mão da melodia e ataca com bases agudas e vocais gritados apenas pelo prazer de chocar. Ao contrário das apresentações ao vivo, onde há adição de peso e as faixas se fazem punk de verdade, no estúdio essa energia falha a convencer, soando mais como interferências em suas caixas de som.

E o problema é que essas 'intervenções sonoras' conseguem quebrar o agradável ritmo das faixas de bpm desacelerado e timbres mais aveludados, que são, sem dúvida, o grande triunfo dessa estréia. "Magic Spells", "Air War" e "Knights" te guiam através de um mundo em slow-motion repleto de línguas irreconhecíveis.


"Courtship Dating" em versão ao vivo


Isso porque Ethan mutila os vocais de Alice por todo o CD, fazendo com que as palavras percam a identidade a fim de se tornar elementos instrumentais. O que torna impossível a identificação, extensão e intenção real das letras. Um exemplo é a faixa "Crimewave", da banda de rock-noise Health - único remix/participação presente no lançamento -, em que o produtor canadense manipula tanto a timbre do vocalista que uma letra sobre sexo se torna mórbida ao fazer de morte (die) uma palavra constante. Detalhe que este trecho nem existe na versão original.

E como uma idéia, por mais criativa que seja, não consegue se manter se não for bem executada, a má transposição dos momentos mais hiperativos e claustrofóbicos fazem ruir o álbum como um todo. Talvez, com uma melhor produção e escolha de faixas (sim, 16 são um exagero), ele venha a soar menos como instalação e mais como música.

5 comments:

Diego disse...

crystal castles r gonna eat your babies with their ice-cream heads.

e o video q vc botou eh de 'courtship dating'

bjs

Eduardo disse...

já disse, porém digo de novo: onde o Grauzone parou nos anos 80 é o início do Crystal Castles. isso mais horas e horas de Burial.
porém, não chegou nem em um, nem no outro.

concordo com a sua resenha. por isso acho q o próximo álbum (aquele que vem depois do EP-teste-no-iTunes) vai ser muito bom ou um lixão.

Diego disse...

ich mochte ein eisbar seeeeeein
im kalten polaaaaaar
eh lindo mas acho q grauzone n cola mto como influencia inspiracao comparacao com cc,,,,
acho q o precedente mais antigo proximo do q cc faz eh suicide
tem outra coisa q poderia bem ser um precedente mas realmente nao eh, nem por causa do nome, eh atari teenage riot,,,,,
o engraçado eh uma banda contemporanea a eles que eh meio parecida e lançou disco novo agora tb q eh kap bambino
bjs

Mary Wonka disse...

cara Crystal Castles é BEM e ponto.

Thais disse...

valeu Caffarena pela resenha, voce ajudou os caras a vender mais um album, e eu ja viciei.