Segunda-feira, Março 03, 2008

Foals - Antidotes


Esqueça a complexidade do math-rock quadrado do Battles, os ingleses do Foals apenas se aproveitam da estética básica do estilo - e negam sua influência em sua criação – para construir suas tensas e sombrias músicas. Soando experimental como o Rapture em seu Echoes, e perdendo o lado acessível à pista com a ausência sentida dos hits “Hummer” e “Mathletics”.

Inicialmente a produção estava a cargo de Dave Sitek do TV On the Radio, porém a banda não estava satisfeita com excessivo uso de reverberação no disco. Achando que haviam sido descaracterizados, decidiram fazer o trabalho eles mesmos. Talvez por isso que não houve grande salto ou desafio na gravação das demos para a versão final. As músicas seguem a mesma lógica, sem nenhum desafio aparente - lembre-se que estamos falando de uma banda de math-rock -, e nenhuma tentativa descabida de criar um hit no meio de tanto anti-hit.

Musicalmente falando, as onze faixas de Antidotes discorrem sobre o mesmo tema, a diferença de um som para o outro está na variação de escalas e solos mais (ou menos) pomposos, tendo em vista que a afinação e, provável distorção, sempre se mantém igual nos instrumentos em todas as faixas.

A bateria seca lembra o início do pós-punk inglês com certa influencia de música negra, mais gingada, e apesar de não ter alvo em batidas precisas, a habilidade e criatividade de Jack Bevan mantém o ritmo ao álbum. E quando unido às ocasionais e vivas palmas o contraste se revela perfeito e os melhores momentos do quinteto aparecem.

RIFF AGUDO
No entanto, o grande instrumento do disco, aquele que deixa a marca Foals de fazer música, são as pequenas, porém múltiplas e agudas notas da guitarra. Fortemente influenciada pelo minimalismo de Steve Reich, que certamente os levaram a fugir do estilo mais acelerado e caótico que “Hummer” representava, a banda diminui grande parte da interferência eletrônica que estava presente nas suas demos.



Foals - Cassius

FAKE POP
Destaques vão para a quase épica “Big Big Love (Fig. 2)”, em que o vocal está envolto em reverb acompanhado de sintetizadores, enquanto a guitarra só prepara o momento da explosão num momento digno de U2. “Two Steps, Twice” tem constantes mudanças de humor sempre cantadas em coro; e os singles “Cassius” (o mais próximo de rápido e rasteiro que o álbum oferece) e “Balloons” atuam com todo a urgência do estridente sax duelando com o peso da bateria.

Se Yannis Philippakis, vocalista e líder da banda, tentava passar um ar menos pretensioso ao citar como fonte de inspiração artistas como Gwen Stefani e Nelly Furtado, a dificuldade do álbum contradiz essas raízes pop que ele tanto cita. Porém, havia tempo que hypes ingleses não lançavam um álbum tão consistente e experimental desse calibre. E só por isso, a gente deixa ele fingir ser pop.