Sábado, Março 29, 2008

These New Puritans - Beat Pyramid

Ultimamente, bandas acreditam que o "não se levar a sério" seja uma idéia certeira que tira todo o peso de cobranças tanto musicais quanto ideológicas. Só que se esquecem do charme daqueles que realmente acreditam no que estão fazendo e se envolvem o máximo que podem na busca da definição de seu estilo.

George Barnett, Thomas Hein, Sophie Sleigh-Johnson e Jack Barnett são conhecidos como These New Puritans e acreditam estar fazendo algo novo e único. Formados no meio de 2005, a banda teve a primeira exposição na mídia na compilação Digital Penetration Vol. 1, ao lado de Shitdisco, Klaxons, Crystal Castles e New Young Pony Club, no começo do ano seguinte. No meio de tanta música para divertir, esses pequenos novos pretensiosos se destacaram com a mistura pós-punk eletrônica.

Com a produção de James Ford (Simian Mobile Disco), eles lançaram “Elvisss”, que varreu clubes ingleses com seu baixo pulsante e vocal distorcido. Mais ou menos nesse tempo eles foram descobertos pelo mundo fashionista quando Hedi Slimane os chamou para fazer uma música de 15 minutos em seu destile de outono da Dior Homme de 2007.



Clipe da nova versão de "Elvis", lançado no começo de 2008

MISTICISMO E ROCK DE CONCEITO
Agora, no final desse mês, eles lançam seu conceitual álbum de estréia, Beat Pyramid. Das 16 faixas, apenas 12 delas são músicas. Algumas são idéias pretensiosas como a faixa “4”, onde um grunhido extremamente baixo é distribuído nos seus oito segundos de duração. De estética artística também está "..ce I Will Say This Twice" que é um complemento da última do disco “I Will Say This Twi...”, na qual um sintetizador grave esconde a quase robótica voz de uma mulher dizendo o exato nome da faixa.

A sonoridade do These New Puritans é calçada no inconformismo punk do The Fall misturado a samples falhos e batidas crypto-funk. O ar místico da banda vem de letras fortemente influenciadas por poesias do século XIX - como em “Numerology aka Numbers”, primeiro single retirado do álbum -, sentimentos e sensações não ligadas a músicas (eles citam “ouro, favela e florestas”).

Apelando para a repetição de frases de impacto que irão garantir pelo menos dois dias de eco nos canto mais escuro do seu cérebro, a banda forma vários semi-hits pouco palpáveis. “Infinity Ytinifni” possui o anti-refrão mais sufocante dos últimos tempos, onde no meio da sujeira musical surge uma voz desesperada repetindo “Infinity is not as fast as me” (infinito não é tão rápido quanto eu). Acelerada, quase punk, é a “£4”, que tem em seus dois minutos em quatorze segundos mais de 100 repetições do título, sendo interrompido por um passageiro solo de guitarra. Entenda solo como a simples mudança de acordes primários numa guitarra repleta de reverberação e distorção.

MENOS VIRTUOSISMO, BEM MENOS
As comparações com o Joy Division sempre existiram, talvez mais pelo visual do vocalista Jack Barnett e por seus movimentos tímidos no palco, do que pela música em si. Porém, em “MKK3” o TNPs mostra como seria o pós-punk feito em época atual como se o movimento tivesse acabado de surgir. Nada daquelas produções perfeitas e virtualmente dark a la She Wants Revenge que se estendem em silêncio, pois menos de dois minutos são suficientes para o pesado baixo, a bateria seca e o sintetizador estourado que te introduzem na mente geniosa e arrogante de Jack.

Se a M.I.A. fosse menos pop, “Swords of Truth” poderia ser um brilhante single em sua voz. As cornetas que envolvem a música denunciam a improvável influencia dos rappers do Wu Tang Clan, porém o rap aqui é substituído pelo modo Mark E. Smith de pronunciar frases numa mistura de fala e canto. Pode ser que essa repetição barulhenta não agrade aos ouvidos mais pops, porém como eles dizem na ótima “C. 16th” "no história, as pessoas falarão que estávamos certo" (in the history, people will say we were right). Vamos dar tempo a esse fantástico quarteto de Essex.

DOWNLOAD ALBUM SAMPLER


2 comments:

Leticia Maria disse...

que babado tecnologico esse seu blog aahahahaha,favoritei aqui.

headbanger disse...

uma bosta