Não parece que faz quatro anos desde que o Cut Copy apareceu com Bright Like Neon Light e marcou o início do burburinho eletrônico na Austrália, todo captado pela gravadora Modular. Antítese da cena hard-rock que nos trouxe monstros de couro pedindo para sermos as garotas deles, o então quarteto era uma bem fermentada mistura de electro-rock com new wave. Eles captavam uma sutil sensualidade que fez o escrachado e liberal electroclash perder o charme rápido. E o melhor, eles não precisavam de armas de divulgação para impor suas faixas ao mundo, o simples fato de ser música para dançar de qualidade derrubava qualquer parede criada por rótulos.
Com isso eles ganharam fãs entre roqueiros - de Franz Ferdinand à Bloc Party, todos os queriam na mesma turnê - e entre membros da cena que eles mesmos vieram a apadrinhar - que inclui MIAMIHORROR, The Presets, Midnight Juggernauts, Van She e muitos outros. O problema é que banda admirada - mesmo que não bem sucedida comercialmente - é cobrada ao máximo a dar novos sabores aos seus seguidores.
E o que fazer quando o então empoeirado estilo em que eles surgiram se torna saturado? Agir como David Bowie e matar o personagem para voltar pouco depois como outro não condiz muito com personalidades de uma banda. Afinal, são três pessoas de diferentes influências que se uniram apostando no que produziam em conjunto.
O Cut Copy escolheu mergulhar ainda mais na new wave, mas não naquela hedonista, tão divertida quanto descartável, e sim experimentando o novo, buscando inovar com synth-pop de qualidade. E lá estava o trabalho do Roxy Music, com seus dois Br(y)ians e seguidores como Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD).
EVOLUÇÃO
As letras mudaram de foco, com linguagem mais séria e densa, apesar de ainda dar espaço para refrões fáceis ("Life and music are on my mind / Be my baby one more time") e figuras nonsense. E uma certa influência californiana de vocais harmônicos povoam as faixas e suas transições (o álbum é praticamente mixado). Pense em Beach Boys e Eagles. No entanto, resumir In Ghost Colours a uma mera aprofundação de identidade é descreditar o trabalho da banda, que soa tão atual pela sonoridade única, de qualidade. Desavisados ainda os chamarão erroneamente de new rave.
Não só as influências foram melhor exploradas. A gravação desse segundo álbum foi levada de maneira muito mais profissional. Ao contrário da estréia, gravada em pouco mais de 24 horas num estúdio qualquer reaproveitando a maioria das gravações caseiras da banda, o sucessor nasceu após seis semanas. E isso reluz em resultados mais refinados e aveludados. Claro, grande crédito disso vai para a produção de Tim Goldsworthy, que segundo o baterista Mitchell Scott, foi responsável por "trazer/criar interessantes atmosferas para o disco". A apresentação das ‘guitarras com textura', uma aproximação com o típico som das guitarras inglesas que eles tanto gostam, também é culpa do produtor.
Após 50 minutos de orgulho pop divididos em 15 faixas, o Cut Copy encerra o álbum com uma pacífica faixa instrumental. Sensação de missão cumprida. Li em algum lugar que eles estão bem orgulhosos dessas músicas que fizeram, só não sei se eles entendem o tamanho do problema que eles compraram. Se superar Bright Like Neon Light tomou mais de três anos, In Ghost Colours deve roubar uns bons dez anos da juventude do trio. Ninguém mandou elevar o desafio.
Cut Copy - Feel the Love
Cut Copy - Nobody Lost Nobody Found
Cut Copy - Lights and Music
Cut Copy - So Haunted
4 comments:
Um álbum fabuloso este In Ghost Colours...
só gostava que me dissesse como é que posso fazer o download das músicas aqui do blog. eu carrego nos links mas não dá nd :/
visita o meu espaço:
Whosplayingatmyhouse.blogspot.com
EXCELLENT review Raph. xx
greatt blog! já está nos favs!
atualiza aí, broto.
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