Sexta-feira, Maio 02, 2008

Cut/Copy - In Ghost Colours

Não parece que faz quatro anos desde que o Cut Copy apareceu com Bright Like Neon Light e marcou o início do burburinho eletrônico na Austrália, todo captado pela gravadora Modular. Antítese da cena hard-rock que nos trouxe monstros de couro pedindo para sermos as garotas deles, o então quarteto era uma bem fermentada mistura de electro-rock com new wave. Eles captavam uma sutil sensualidade que fez o escrachado e liberal electroclash perder o charme rápido. E o melhor, eles não precisavam de armas de divulgação para impor suas faixas ao mundo, o simples fato de ser música para dançar de qualidade derrubava qualquer parede criada por rótulos.

Com isso eles ganharam fãs entre roqueiros - de Franz Ferdinand à Bloc Party, todos os queriam na mesma turnê - e entre membros da cena que eles mesmos vieram a apadrinhar - que inclui MIAMIHORROR, The Presets, Midnight Juggernauts, Van She e muitos outros. O problema é que banda admirada - mesmo que não bem sucedida comercialmente - é cobrada ao máximo a dar novos sabores aos seus seguidores.

E o que fazer quando o então empoeirado estilo em que eles surgiram se torna saturado? Agir como David Bowie e matar o personagem para voltar pouco depois como outro não condiz muito com personalidades de uma banda. Afinal, são três pessoas de diferentes influências que se uniram apostando no que produziam em conjunto.

O Cut Copy escolheu mergulhar ainda mais na new wave, mas não naquela hedonista, tão divertida quanto descartável, e sim experimentando o novo, buscando inovar com synth-pop de qualidade. E lá estava o trabalho do Roxy Music, com seus dois Br(y)ians e seguidores como Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD).

EVOLUÇÃO
As letras mudaram de foco, com linguagem mais séria e densa, apesar de ainda dar espaço para refrões fáceis ("Life and music are on my mind / Be my baby one more time") e figuras nonsense. E uma certa influência californiana de vocais harmônicos povoam as faixas e suas transições (o álbum é praticamente mixado). Pense em Beach Boys e Eagles. No entanto, resumir In Ghost Colours a uma mera aprofundação de identidade é descreditar o trabalho da banda, que soa tão atual pela sonoridade única, de qualidade. Desavisados ainda os chamarão erroneamente de new rave.

Não só as influências foram melhor exploradas. A gravação desse segundo álbum foi levada de maneira muito mais profissional. Ao contrário da estréia, gravada em pouco mais de 24 horas num estúdio qualquer reaproveitando a maioria das gravações caseiras da banda, o sucessor nasceu após seis semanas. E isso reluz em resultados mais refinados e aveludados. Claro, grande crédito disso vai para a produção de Tim Goldsworthy, que segundo o baterista Mitchell Scott, foi responsável por "trazer/criar interessantes atmosferas para o disco". A apresentação das ‘guitarras com textura', uma aproximação com o típico som das guitarras inglesas que eles tanto gostam, também é culpa do produtor.

Após 50 minutos de orgulho pop divididos em 15 faixas, o Cut Copy encerra o álbum com uma pacífica faixa instrumental. Sensação de missão cumprida. Li em algum lugar que eles estão bem orgulhosos dessas músicas que fizeram, só não sei se eles entendem o tamanho do problema que eles compraram. Se superar Bright Like Neon Light tomou mais de três anos, In Ghost Colours deve roubar uns bons dez anos da juventude do trio. Ninguém mandou elevar o desafio.

O Rato Tá Morto

O CSS disponibilizou no meio da semana uma música inédita retirada do segundo álbum da banda, Donkey, para download grátis em seu site oficial. "Rat is Dead (Rage)", segundo a banda, foi inspirada em problemas que eles enfrentaram com seu antigo empresário e os mostra percorrendo um caminho muito mais rockeiro que seu CD de estréia, Cansei de ser Sexy.

Donkey será lançado no dia 21 de julho pela Warner na Europa e no dia seguinte pela Sub Pop nos Estados Unidos. Não há informações sobre lançamentos no Brasil.

Segundo a revista inglesa NME, o primeiro single a ser retirado do novo álbum dos brasileiros será "Left Behind" e também estará disponível como download grátis a partir do dia 14, no site da Sub Pop.

Demorou um dia de repeat na faixa pra eu gostar dela. E apesar da produção estar ótima, eu sinto falta da tosqueira electro-rock de que eles surgiram. Mas bem, não foi por falta de alerta. O Adriano cansou de falar que o CSS agora é uma rock band.

Lista de faixas oficial
"Jåger Yoga"
"Rat is Dead (Rage)"
"Reggae All Night"
"Give Up"
"Left Behind"
"Beautiful Song"
"How I Became Paranoid"
"Move"
"I Fly"
"Believe Achieve"
"Air Painter"

DOWNLOAD

CSS - Rat is Dead (Rage)

Fight for your rights

Quando o designer do momento faz dois dos mais criativos e legais clipes do ano e o máximo que isso consegue é chamar a atenção dos blogs trend-setters, você (banda e/ou produtor) se vê sem opção a não ser apelar. E o que é mais barato e funciona melhor que violência gratuita? Note que até o nome já diz que nada é mais barato que isso.

E foi assim que a dupla francesa Justice usou seu novo single, “Stress”, como soundtrack de adolescentes descontrolados com jaquetas incríveis. Pense em filmes como The Warriors e Orange Clockwork acontecendo na luz do dia. Ou melhor ainda, imagine o futuro GTA para o Playstation V sendo rodado em Paris.

Delinqüentes batendo em pessoas aleatórias, destruindo carros, jogando cocktails Molotov, mexendo com mulheres em pontos de ônibus, quebrando bares e essas coisas radicais que causam stress. Ah, entendi.


Natalie Portman's Shaved Head

Se eu algum dia eu tiver uma banda, eu quero que ela soe tão descomprometida e divertida quanto o Natalie Portman's Shaved Head. Hey, espera... Eu tenho uma banda. Ok, estou mudando o som dela nesse exato momento. (Mandando e-mail pro Goos e pro Cello agora.)

Deixando meu humor de boteco pra lá, o NPSH é o casamento simples de rock dançante com música eletrônica primária. Técnica aqui não tem vez, nem preocupação exagerada com vocais. Só olhar para os meninos imitando meninas Monty Python-style em “Beard Lust”para comprovar o que eu digo.

É uma daquelas bandas que quando eu ouvi a primeira vez (CSS me apresentou), eu simplesmente não conseguia parar de ouvir e procurar coisas a respeito deles. E essa procura (íntima detected) me fez perceber que se eles fazem músicas divertidas e descompromissadas, é porque eles são pessoas divertidas e descompromissadas. E como toda banda pequena da geração supernova, eles querem que você interaja com eles. E a galera de Seattle está em blogs, flickrs, myspaces e vídeos engraçados no youtube.

O NPSH está prestes a lançar seu primeiro álbum, e pelo o que eu ouvi até agora, tanto as músicas novas quanto a regravações das velhas soam melhores que as faixas originais do EP Secret Crush. Provavelmente não vou me decepcionar com Glistening Pleasure, mas se por acaso o álbum vier e for ruim, tenho certeza que eles seriam ótimos amigos para se ter. Estou fazendo a íntima nesse exato momento. Alguém me avisa?